Alguma luz…

Olá!

Depois de décadas de hegemonia de um pensamento político-econômico pautado pela supremacia do ente metafísico “mercado”, surgem novos ventos que podem, quem sabe, arejar as mentes mais enrijecidas.

Seguem dois textos que atacam o mantra da Austeridade Fiscal, tão caro aos vulgarmente chamados de neoliberais. Lembrando que o atual momento político-econômico e intelectual do país é dominado por essa ortodoxia que inibe de diferentes formas a atuação do Estado na economia.

Há, entretanto, uma armadilha em um dos textos.

O aumento dos investimentos públicos sustentados por aumento das emissões de Títulos Públicos. Forma mais usual de captação de recursos pelo Estado, aumenta, entretanto, a sujeição deste frente ao sistema financeiro.

Alternativas? Não tenho! Apenas uma sinalização do risco.

Seguem os textos:

Outras Palavras: “Para desnudar a mediocridade das elites”

http://www.outraspalavras.net/crise-brasileira/para-desnudar-a-mediocridade-das-elites/

 

Le Monde Diplomatique Brasil: “Lara Resende a meio caminho”

http://www.diplomatique.org.br/papel-da-moeda-lara-resende-a-meio-caminho/

Boa sorte a todos!

Uma atualização de conceitos em Geomorfologia

Em uma tentativa de melhorar o entendimento conceitual, segue alguns termos aplicados à Geomorfologia:

Termos e conceitos em geomorfologia
Adaptados de Dicionário de Geomorfologia, de Antônio Guerra
(https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv88004.pdf)

AGENTES DE DECOMPOSIÇÃO QUÍMICA – compreende-se geralmente como a parte da erosão elementar ou meteorização das rochas que modifica a natureza e composição química dos diferentes minerais que integram as diversas famílias de rochas. A hidratação é o principal elemento da decomposição química das rochas.

AGENTES DE DESAGREGAÇÃO DAS ROCHAS – são os que se manifestam pela desagregação mecânica e pela decomposição química produzidas pela amplitude térmica diária, gelo e degelo, dilatação dos cristais produzida pela hidratação, plantas, raios, etc.

DECOMPOSTA (rocha) – aquela na qual os elementos primitivos foram alterados por processos químicos. As alterações de rochas são realizadas mais facilmente nos climas quentes e úmidos, onde a hidratação é maior. O trabalho ele decomposição química embora seja teoricamente separado da desagregação mecânica, na natureza os dois se realizam simultaneamente, dando como resultado final a rocha alterada ou decomposta. A zona de alteração é geralmente observada na superfície exterior pelo fato ele a mesma estar em dependência direta das ações dos agentes de erosão (exógenos).

DESAGREGAÇÃO – separação em diferentes partes de um mineral ou de e uma rocha, cuja origem pode ser devida ao trabalho dos agentes erosivos ou aos agentes endógenos.

DESAGREGAÇÃO CORTICAL – o mesmo que descascamento a semelhança de casca de cebola.

DESAGREGAÇÃO GRANULAR – aquela que dá aparecimento grânulos ao invés de fragmentos, por ocasião do quebramento e da decomposição da rocha pela meteorização. A desintegração granular é mais freqüente nas rochas de composição pouco heterogênea. Este tipo ele desagregação ainda não foi bem estudado. Nele intervém uma série de fatores múltiplos: hidratação dos cristais, ação disjuntiva dos sais intercalados nas fendas das rochas, etc. Estes agentes são favorecidos pelas mudanças súbitas ele temperatura e do grau ele umidade.
A desagregação granular é mais característica nas rochas cristalinas e representa um estado intermediário entre a desagregação mecânica e a decomposição química.

DESAGREGAÇÃO MECÂNICA – descascamento ou quebramento das rochas maciças produzido pelas variações das amplitudes diurnas de temperatura e pelo gelo e degelo que agem sobre as mesmas. Este primeiro tipo de erosão elementar ocasiona nas regiões tropicais grandes descascamentos como se verifica nos granitos e gnaisses do Rio de Janeiro, dando o aparecimento de “pães-de-açúcar”, bolas ou boulders. Esta esfoliação nos blocos é também chamada de descascamento em forma de cascas de cebola ou “desagregação cortical”.
A desagregação mecânica ao se processar numa rocha é logo acompanhada de hidratação, ou seja, fenômeno de ordem química. Nos climas áridos semi-áridos verifica-se melhor o aparecimento de rochas, onde o efeito térmico se faz sentir com maior facilidade.
Além da desagregação mecânica produzida pelos efeitos da amplitude térmica, devemos considerar o gelo e o degelo, cujo resultado é o intenso quebramento das rochas.
Na fragmentação das rochas eleve-se distinguir, de um lado, a desagregação, de outro, a ablação e o consecutivo depósito.
A movimentação tectônica também é capaz de dar fragmentações ele rochas – brechas, falhas ou de fricção – que se prolongam, principalmente, em profundidade.
Interessa no processo ele formação dos solos, apenas o quebramento das rochas ocorrido na superfície, isto é, na zona de contato com a atmosfera e o mundo vivo ou biosfera.
Quanto aos seres biológicos, como agentes desagregadores de rochas, os seus trabalhos são de ação menos violenta, necessitando de um espaço de tempo muito grande.
Até o momento ainda não se mediu a importância desses diferentes fatores que agem na desagregação das rochas sob os diversos tipos de clima. Também ainda não mereceu a desagregação mecânica o destaque que lhe deve ser dado, por ser a primeira fase do ataque da erosão elementar, juntamente com a decomposição química. Os trabalhos mais recentes dos geólogos e geógrafos já estão começando a ressaltar o fato de que ela comanda as outras fases do ciclo erosivo: ablação, transporte e sedimentação. Afirmam ainda que estas últimas não serão perfeitamente explicadas, enquanto não se conhecer quantitativamente a desagregação mecânica.

EROSÃO ELEMENTAR – conjunto de fatores que ocorre lentamente na transformação da paisagem. Podemos agrupá-los nos seguintes: variação de temperatura – as amplitudes térmicas tem grande importância na fragmentação das rochas – desagregação mecânica, esfoliação (granitos e gnaisses, no Rio de Janeiro e no Espírito Santo); gelo e degelo; decomposição química – reduz a fragmento menores os produtos desgastados pelos agentes mecânicos. A erosão elementar também é sinônimo de intemperismo ou meteorização.

“O Brasil não cabe no quintal de ninguém”

Olá!

Um tanto ufanista, admito, o título do post. Mas esse não é o objetivo, ao contrário disto.

Uma sociedade não pode ser entendida como algo coeso, uniforme. Os diversos grupos que atuam apresentam interesses diversos e, por vezes, contraditórios. Além disto, esses interesses podem se manifestar como mais abrangentes ou mais exclusivistas – Bolsa Família frente às necessidades de desmatamento e agrotóxicos do agronegócio, respectivamente; esses interesses podem ser enraizados na própria sociedade ou em necessidades estrangeiras que instrumentalizam grupos do país – leis do petróleo das décadas de 1950 e 2000 frente as leis do petróleo das décadas de 1990 e 2010.

O Brasil entrou em uma virtuosa trajetória nos anos 2000 em política externa. Sem abandonar parceiros históricos do Norte (EUA e UE) amentou seus intercâmbios diversos com países do Sul em diversas instâncias: MERCOSUL, UNASUL, IBAS, ASA, BRICS. São alguns exemplos dessas novas interações pautadas por novas necessidades e possibilidades entre as partes. Afinal, trata-se de um mundo no qual, diferentemente dos séculos anteriores, o Sul tem o que oferecer ao Sul reforçando suas posições internacionais através destes canais. Agropecuária, energia, indústria, serviços, entre outros, estão presentes em grandes economias como a chinesa, turca, indiana, argentina.

Apesar de a sabedoria popular ensinar que não se deve colocar todos os ovos em uma mesma cesta (Norte), quando houve esforço no Brasil (com grandes possibilidades, vantagens e resultados) na diversificação de seus parceiros foram massivas as críticas de “ideologia” nas opções internacionais. Os ganhos comerciais do período, a inserção de grandes empresas brasileiras (estatais e privadas) de forma competitiva ou líder no mercado mundial, o protagonismo do país nos fóruns internacionais, tudo isso mostra que, se foi um política externa “ideológica”, foi acertada. Na verdade, ao invés de “ideologia” como pejoração, seria melhor citar o pragmatismo desta política externa em uma visão de longo prazo da inserção do Brasil no cenário mundial sendo o país lido em um contexto de políticas mais abrangentes.

Além da política externa o uso da máquina pública estatal com o mesmo pragmatismo possibilitou os ganhos de competitividade em empresas domésticas além de inclusividade social, com destaque para setores estratégicos como ensino em geral e ensino superior (universidades e centros de pesquisa).

Tudo o que escrevi acima é uma tosca introdução à entrevista do economista Paulo Nogueira Batista Jr. no programa Voz Ativa. Minhas mal escritas linhas acima podem ser entendidas com didatismo e adequação conceitual na entrevista que compartilho abaixo. Por sinal, voltando ao título do post, peço vênia ao economista tendo em vista esse ser o título de um livro que, disse ele, ainda está por vir. Aguardo…

Abraço e boa sorte a todos!

Irracionalidade e irrelevância

Olá!

O plebiscito BREXIT já comemorou seu segundo aniversário. Mas quais são as dúvidas que ainda pairam sobre a saída do Reino Unido da União Europeia?

“Os problemas atuais do Brexit estão localizados em diversos campos: a indefinição sobre a situação da população europeia e também da britânica na UE, o problema migratório, o livre mercado, a política agrícola, desemprego, as fronteiras internas (Irlanda e Irlanda do Norte), etc.” segundo artigo de Rodrigo I. Francisco Maia na Diplomatique Brasil de 20 de julho deste ano. São, na verdade, as mesmas dúvidas que pairavam sobre as mentes no primeiro semestre de 2016. A cereja do bolo é o et cetere do final da lista.

Aquilo que foi produzido com alto grau de irracionalidade não pode ser implementado facilmente. Se a xenofobia não foi o único componente de vitória do BREXIT, foi muito importante: o “problema” da migração afetando empregabilidade dos nativos, segurança frente à criminalidade comum ou frente ao terrorismo. O medo foi o elemento norteador de boa parte dos eleitores. Quando o medo tolhe a diversidade o diálogo fica empobrecido e os resultados podem não ser os melhores.

Além disso, vale lembrar que os críticos do BREXIT, mais jovens, desacreditando da política, não foram às urnas. As populações de maiores idades de cidades menores definiram a pequena margem para vitória da saída do Reino Unido da União Europeia. Há um preço a se pagar quando se abdica da política.

Finalmente, uma ressalva. A União Europeia não se transformou em Shangri-la. A sujeição do bloco à ortodoxia econômica fez dele mero balcão de negócios e negociatas. Os altos valores do Estado de Bem-Estar Social são deixados de lado. Entretanto, o BREXIT não caminha na solução dos problemas europeus, ao contrário, aumenta os danos.

Reforçando essas ideias, seguem três artigos:

El Pais, de 2016, lembrando um atentado que vitimou a deputada trabalhista Jo Cox por um assassino aos gritos de “Britain first”. Deputada britânica morre após ser baleada e esfaqueada na rua na Inglaterra

Jo Cox

Da Diplomatique Brasil, as incertezas do BREXIT dois anos depois: Dois anos após aprovação em referendum, Brexit segue sem projeto

Por fim, desde a DW uma reportagem que aponta para o crescimento do racismo desde o BREXIT: UN: Racism has risen since Brexit vote

Abraços a todos e boa sorte!

Reforma agrária: avanços e retrocessos.

Olá!

No início dos anos 1990 o INCRA viabilizou a desapropriação de uma área de uso irregular por uma usina de açúcar e álcool para assentar pouco mais de 20 famílias de agricultores. Em três anos o assentamento na localidade de Paranacity já se destacava pela produtividade: “produzem-se hortaliças e cereais em quantidades importantes; além disso os camponeses possuem em comum 150 vacas leiteiras, fazendo duas ordenhas diárias, uma pocilga, um centro de criação e engorda de galinhas e um alambique com tonéis de madeira para envelhecimento da cachaça.” Era isso que escrevia Sebastião Salgado no livro Terra, de 1997.

 

Em 1998 o assentamento se mostrava “modelo” no norte do Paraná segundo reportagem da Folha de Londrina:

Assentamento em Paranacity é modelo

Idas e vindas da agricultura familiar que gera alimentos (não commodities) e que pode ser livre de agrotóxicos (fitossanitários? pesticidas?). No Jornal GGN de hoje vem a matéria sobre um suposto ataque ao assentamento com focos de incêndio surgindo simultaneamente em várias partes.

Cooperativa de orgânicos do Paraná é atacada com incêndio

Um assentamento de reforma agrária não tem apenas um viés econômico e social. Há sempre um claro componente político em um assentamento. Essa modalidade de uso da terra fere duas das principais raízes de uma sociedade excludente: a posse da terra que passa a ser usada como instrumento de poder despótico sobre as gentes da terra, propriedade que se transforma em instrumento de perpetuação política de elites excludentes; e a especulação imobiliária no campo. Um assentamento sempre carrega forte significado político contra essas duas raízes de autoritarismo e exclusão.

Se comprovado o caráter criminoso do incêndio ficamos a um passo da caracterização de mais um crime político na sociedade brasileira dos “homens-cordiais”. A lista é anterior a Marielle e só vai crescendo…

Abraço e boa sorte a todos!

Informação, ignorância e violência

Olá!

El País publicou uma entrevista com Wagner Schwartz , o artista da performance no MAM notabilizada (infelizmente) pela viralização da cena da criança tocando o corpo nu de Schwartz .

O episódio foi denominado por alguns de “pedofilia”. Assim, o primeiro passo é entender o que é pedofilia em uma perspectiva legal. Diz o Estatuto da Criança e do Adolescente:

Art. 240. Produzir, reproduzir, dirigir, fotografar, filmar ou registrar, por qualquer meio, cena de sexo explícito ou pornográfica, envolvendo criança ou adolescente: )
Pena – reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa.
§ 1o Incorre nas mesmas penas quem agencia, facilita, recruta, coage, ou de qualquer modo intermedeia a participação de criança ou adolescente nas cenas referidas no caput deste artigo, ou ainda quem com esses contracena.
§ 2o Aumenta-se a pena de 1/3 (um terço) se o agente comete o crime:
I – no exercício de cargo ou função pública ou a pretexto de exercê-la;
II – prevalecendo-se de relações domésticas, de coabitação ou de hospitalidade; ou
III – prevalecendo-se de relações de parentesco consangüíneo ou afim até o terceiro grau, ou por adoção, de tutor, curador, preceptor, empregador da vítima ou de quem, a qualquer outro título, tenha autoridade sobre ela, ou com seu consentimento.

Assim, dificilmente é possível inserir o episódio como “pedofilia”. A mãe estava presente, não houve constrangimento à criança, o ambiente era de um conhecido museu de arte, a performance do artista já era conhecida e remetia aos idos de 2005 em referência à produção artística de Lygia Clark nos anos 1960.

Para reforçar a ideia de ausência de teor sexual (lido em uma perspectiva vulgar) segue um vídeo com um recorte da apresentação que pode durar por volta de 1 hora.

Antes de avançar, fique claro que se trata de um vídeo curto. Ele não representa uma fração da totalidade da performance quanto a apresentação em si (descolamento do contexto ao vido do museu, incapacidade de interação com as pessoas, edição) e, menos ainda, da totalidade que envolve toda a ideia desta produção. Mas fica evidente que não há qualquer significação vulgar de sexo.

Mas setores políticos e de imprensa conservadores e manipuladores, aliaram à sua ignorância e maldade à de outras milhares de pessoas nessa selva chamada de Redes Sociais. Resultado: linchamento medieval da apresentação e, quem sabe, da própria ideia de arte.

Segue abaixo os links para a entrevista do artista no El Pais. Entretanto, uma ressalva. Dividi a entrevista em duas partes. Explico mediante uma analogia. O MASP voltou a apresentar suas obras em cavaletes de vidro sem que o visitante veja, a princípio, a referência técnica-histórica do quadro. Assim, o espectador tem uma primeira aproximação livre de dirigismos e, depois, pode ter uma referência objetiva quanto à obra. Da mesma forma no artigo do El País que eu quero apresentar.

A entrevistadora, Eliane Brum, fez uma apresentação excelente da entrevista. Entretanto, a apresentação pode gerar no leitor antipatia, empatia ou se desdobrar em qualquer outra forma de dirigismo. Assim, cortei a matéria em duas partes: a entrevista propriamente dita e a apresentação de Eliane Brum. Seguem abaixo:

Segue a entrevista: ENTREVISTA

Apresentação da jornalista Eliane Brum: Apresentação

Abraços a todos e boa sorte!

Sobre chacinas, ignorância e desumanidade

Olá!

Resultado de imagem para presídios

Entra em cena novamente o problema da segurança pública e presídios. Uma triste rotina brasileira que envolve sequência de eventos: natal, ano novo, massacres em presídios, carnaval. Há um problema fundamental que inviabiliza soluções: a abordagem do problema.

A academia já produz conhecimento teórico e empírico de qualidade e em quantidade para evidenciar erros e propor formas efetivas de superação do problema. Mas a sociedade insiste nas ideias de “enfrentamento do crime”, “guerra às drogas”, uma ideologia de vingança sobre aquele que passa a ser alcunhado de criminoso. São formas irracionais de lidar com o problema diagnosticadas, entre outros, pela psicanálise. Comportamento de massa que anula a racionalidade, a eticidade e a capacidade de entendimento da alteridade. Comportamento de massa estimulado por setores conservadores e religiosos na política institucional (partidos, congressistas) e na sociedade civil (imprensa, difusão de seitas religiosas). Há desdobramentos dessa forma esdrúxula de lidar com o problema. A sociedade que não PENSA o problema paga o preço.

O preso é visto como Homo Sacer, figura do direito romano que se reportava as pessoas que, insacrificáveis, podiam ser mortas sem penalidades ao agressor. São nossos presos de hoje. São isacrificáveis, isto é, marginalizados, aqueles que “não prestam” para a sociedade. São aqueles que podem ser mortos sendo que, se na teoria legal o Estado os protege e criminaliza seu assassinato, a sociedade e muitas autoridades fazem vistas grossas às chacinas e, por vezes, às elogiam.

As massas de presos crescentes nesta situação só podem reagir e se organizar contra sua condição de Homo Sacer. Uma das maiores organizações criminosas do país se formou no “Piranhão”, o anexo da Casa de Custódia de Taubaté, lugar de exercício de reconhecidas desumanidades contra os detentos.

Piorando a situação, esse crescente e poderoso crime organizado passou a ter ligações promíscuas com o poder estatal: financiamento de campanhas eleitorais, lobby no Congresso.

Finalmente, esse poder público promíscuo consegue atender aos dois lados fortes e supostamente contrários que fazem pressão. A política antidrogas prende abundantemente e mal, superlotando os presídios recém construídos. O crime organizado agradece a oferta de força de trabalho que se arregimenta no cárcere. Além disso, os estúpidos conservadores se regozijam com os volumes de prisões e com os maus tratos na cadeia. Um ciclo vicioso de violência, vingança, estupidez e desumanidade.

Há tempos já há aqui, no geovest, post sobre o tema. Seguem alguns:

Reflexões acerca da Segurança Pública e das possibilidades de desmilitarização da polícia.

 

 

 

Segue uma apresentação em slides com o resumo dos vídeos acima:

Reflexões acerca da desmilitarização da polícia

Abraços a todos e boa sorte!