torturas, mitos fundadores e realidade histórica

Olá!

O tema tem se tornado recorrente: a tortura em meio à Ditadura Militar brasileira. Quem teria coragem (cafajestagem?) de negar isso?

O problema é a supervalorização das consequências (os torturados na Ditadura e pela Ditadura) que desvaloriza as causas (a violência e exclusão na sociedade como fenômenos históricos). O texto sugere que “(…) há um país que morreu e renasceu de outra maneira depois da ditadura, e que hoje é indiferente ao abismo que se abriu depois do golpe militar e que nunca mais se fechou”. A tortura, mal maior identificado no texto, não foi uma criação da Ditadura Militar no Brasil. Ela está presente na história da nossa sociedade desde a escravidão, passando pela República Velha, pelo período varguista e chegando às delegacias de polícia na atualidade. Assim, ver um “divisor de águas” na ditadura militar é um erro que impossibilita a identificação da real profundidade e abrangência do problema na nossa sociedade. Arrisco afirmar que nossa sociedade, por ser excludente e violenta frente às suas bases, possibilitou o golpe e a ditadura de mais de duas décadas! Afinal, como já escrevi neste blog, como a sociedade pode resolver os problemas de tortura e deificar o Capitão-Coronel Nascimento?

O texto completo pode ser lido no portal Carta Maior. Para quem ler, muita atenção às afirmações de José Arbex sobre as quais eu não faria qualquer crítica.

Em tempo, o texto da Carta Maior destaca ao final que “Este Estado de exceção só terminará quando a ditadura terminar, quando o último algoz for processado e julgado. Se a Comissão da Verdade encontrar dois ou três bons casos e levantar material para ações cíveis, pode haver uma transmutação disso tudo (…)”. O “Estado de Exceção” vai perdurar em muitos “Pinheirinhos” e em muitas chacinas policiais enquanto a pressão social manter um caráter tão restrito.

Abraços a todos!