México, desmonte do Estado, narcotráfico e violência

Olá!

Segue uma entrevista com o professor Eduardo Buscaglia.

Grandes multinacionais dedicadas a cometer uma ampla gama de crimes, de roubos e sequestros até o tráfico de pessoas, passando pelo comércio de drogas. Isso tudo com a indispensável participação e cumplicidade de porções do Estado mexicano. É assim que o professor Eduardo Buscaglia enxerga o estágio atual de organização dos cartéis de drogas no México.

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Considerado um dos maiores especialistas em crime organizado na América Latina, Buscaglia é um crítico da política de “Guerra às Drogas” conduzida pelo governo de Felipe Calderón, que chama de “jogo midiático”. “Quem pode negar o apelo midiático de enviar milhares de soldados às ruas? Parece uma excelente medida, mas a verdade é que o presidente Calderón não está mexendo nos interesses políticos e econômicos que são a essência da atividade criminosa.”

Nesta entrevista a Opera Mundi, ele diz que não há soluções mágicas para enfrentar a criminalidade, nem mesmo a legalização das drogas, porque o problema se tornou muito mais profundo. “Sem confiscar o aparato logístico, operacional e econômico – e não me refiro a lavagem de dinheiro, dinheiro no banco ou debaixo do colchão, mas a imensas frotas de transporte, prédios e galpões de armazenamento – que estão sendo usados diariamente pelos grupos criminosos em nome de empresários. Se isso não for afetado, nenhuma experiência internacional será eficaz”.

Quando os processos de transição política não são concluídos como no caso mexicano, o que acontece é que o estado, com o conflito e a corrupção, vai se desintegrando, se “somalizando” e “afeganizando”, e isso gera instabilidade política, ilegitimidade dos presidentes em exercício, questionamentos à legitimidade e à própria existência do presidente. É quando começam a ocorrer assassinatos de políticos do mais alto nível e essa instabilidade política resulta em falta de controle, que é o que temos hoje.

Buscaglia acredita que o fim da violência organizada no México só virá por meio de um pacto político, que parece distante, porque “políticos mexicanos não sentem a dor e o desespero de estar entre cruz e a espada”.

Entrevista completa em Opera Mundi

Abraços a todos!