os fracassos dos movimentos sociais contemporâneos – o movimento occupy

Olá!

Movimento sociais: sem uma ideologia norteadora e uma estrutura que possibilita organização não há como ter sucesso.

movimentos

Nos últimos anos, em meio às novas tecnologias de comunicação com redes sociais (o fetiche moderno), há apologia de formas espontâneas e supostamente democráticas de manifestação. Occupy Wall Street (OWS) é um exemplo. Quanto mais essa ideologia é reforçada, quanto menor a chance de a sociedade civil patrocinar transformações profundas e necessárias para o contexto atual. Pobreza, concentração de renda, dano ambiental, fanatismos diversos (religiosos ou laicos) continuarão prosperando.

Thomas Frank escreveu na Le Monde Diplomatique Brasil:

O que estava sendo realmente tecido em Wall Street durante esse tempo todo suscitou um interesse muito menos vivo. Em Occupying Wall Street, uma compilação de textos redigidos por escritores que participaram do movimento, a questão dos empréstimos bancários usurários apareceu somente uma vez, em uma citação na boca de um policial. E não espere descobrir como os militantes do Zuccotti pretendiam enfrentar o poder dos bancos. Não porque tal façanha pudesse ser considerada impossível, e sim porque a forma como a campanha do OWS é apresentada nessas obras dá a impressão de que o movimento não tinha nada a propor além da construção de “comunidades” no espaço público e o exemplo dado ao gênero humano pela nobre recusa de eleger porta-vozes.
Infelizmente, um programa político como esse não é suficiente. Construir uma cultura de luta democrática é, sem dúvida, muito útil para os ambientes militantes, mas é apenas um ponto de partida. O OWS jamais foi além disso: não desencadeou uma greve, não bloqueou um centro de recrutamento ou sequer ocupou o gabinete de um reitor de universidade. Para seus militantes, a cultura horizontal representa o estágio supremo da luta: “O processo é a mensagem”, entoavam em coro os manifestantes.

A falta de ideologia é acompanhada pela falta de crítica que reduz o entendimento dos fenômenos sociais à superficialidade e leva a ação política ao conservadorismo inconsciente. Foucault, polemizando com maoistas sobre a chamada “justiça popular”, concluiu não ser possível a existência de “tribunais” que representassem essa modalidade de justiça. Afinal, a presença de um juiz que é atribuído de autoridade para condenar após apreciar de forma isenta as demandas envolvidas não pode caracterizar, de fato, o que se entende como popular, como de massa. Foucault fez a mais pertinente crítica para concluir que a proposta em questão era uma grande contradição. Os movientos sociais atuais (Occupy) parecem ter perdido essa capacidade.

Escreve Frank:

Ao que tudo indica, protestar contra Wall Street em 2011 implicava protestar também contra as manobras financeiras que levaram à grande recessão; contra o poder político que tinha salvado os bancos; contra a prática delirante dos primese bônus que tinham metamorfoseado as forças produtivas para o 1% mais rico. Todas essas calamidades têm origem na desregulação e na queda dos impostos – em outras palavras, na filosofia de emancipação individual que, pelo menos na retórica, não é contrária às práticas libertárias do OWS.

Aprofundando os problemas, a divisão social de trabalho que tende ao isolamento da auto-intitulada classe pensante tem se tornado mais radical. A precária inteligibilidade de alguns dos manisfestantes do Occupy beira ao ridículo. Ainda no artigo de Frank:

Por que um panfleto concebido para galvanizar as tropas do OWS está cheio de declarações enigmáticas do tipo: “Nosso ponto de ataque se situa nas formas de subjetividade dominantes produzidas no contexto das crises sociais e políticas atuais. Dirigimo-nos a quatro figuras subjetivas – o endividado, o midiatizado, o segurado e o representado – que estão em via de empobrecimento e cujo poder de ação social está mascarado ou mistificado. Consideramos que os movimentos de revolta e de rebelião nos permitem não apenas recusar regimes repressivos sofridos por essas figuras subjetivas, mas também inverter essas subjetividades perante o poder”?

Vale Lembrar que o Manifesto do Partido Comunista (Marx e Engels – 1848) tinha o objetivo de divulgar os ideais do socialismo científico. O formato do texto – um manifesto – é indicativo desse objetivo.

Para ler o artigo de Frank, a polêmica de Foucault e o Manifesto, basta clicar nos links abaixo:

Abraços a todos!