Tibet

Olá!

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O filme “Sete Anos no Tibet”, estrelado por Brad Pitt, foi lançado em 1997, menos de dez anos após os levantes em Lhasa – capital do Tibet. Uma descrição mais vulgar e direta resumiria o filme como muito bonito: bela fotografia inspirada nas paisagens montanhosas do Tibet (as locações foram nos Andes argentinos); uma respeitável interpretação de Brad Pitt; um roteiro que evidencia construção dos personagens ao longo da trama.

Trata-se, entretanto, de um filme baseado em um livro nada imparcial sobre as relações do Tibet com a China comunista. Como um “livro de viagem”, baseado em experiências pessoais, não constrói a geopolítica regional e internacional que ajudariam a entender de forma mais clara as tensões na região. Em resumo, o filme acabou municiando os independentistas tibetanos (no Tibet ou, frequentemente, fora dele).

O filme não deixa de apresentar a biografia do autor do livro (e personagem principal), Heinrich Harrer. Mas é uma apresentação bastante pobre que se perde ao longo da trama. O site Wikipedia diz que “Com a ascensão do partido Nazista na Áustria, Harrer tornou-se membro da SS, tendo em 1938 integrado uma expedição alemã ao Nanga Parbat nos Himalaias, atualmente parte do Paquistão. Após o início da II Guerra Mundial em 1939, Harrer foi capturado pelo exército colonial britânico. Em 1944 conseguiu fugir junto com Peter Aufschnaiter e após 21 meses em fuga conseguiu atravessar as altas montanhas até ao Tibete, onde ficou durante sete anos, tendo estabelecido amizade com o jovem Dalai Lama, ficando conhecido como o Professor do Lider Espiritual. Após a ocupação chinesa do Tibete em 1950, Harrer regressou à Àustria onde documentou as suas aventuras nos livros Sete Anos no Tibete e Lost Lhasa”. Talvez não fosse interessante explicitar a relação do autor e personagem principal com o nazismo.

Mesmo sendo um livro baseado em experiência pessoal – com evidente parcialidade contra a China comunista – os produtores do filme resolveram abolir uma passagem do texto original. O personagem de Pitt não cita, quando da ocupação da região por tropas de Pequim, que “Deve-se dizer que durante essa guerra as tropas chinesas se mostraram disciplinadas e tolerantes e os tibetanos que foram capturados e depois libertados diziam que haviam sido bem tratados”, presente no original (segundo Duarte Pereira).

O filme pode ser inserido em um esforço de desinformação para que o Ocidente não entenda adequadamente as tensões na região. Diferentemente da película americana, a realidade não é dotada de bonzinhos e malvados, maniqueísmo que só se presta ao acobertamento de problemas da realidade.

Como esforço para melhor entendimento das relações históricas da China com o Tibet, segue um texto do jornalista Duarte Pereira.

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Abraços a todos!