mortalidade e gênero

Olá!

saude

 

Para reforçar e aprofundar uma análise de sala, segue um texto de JACQUES VALLIN publicado no site da Associação Brasileira de Estudos Populacionais (ABEP).

Todas essas constatações convergem perfeitamente, ao menos à primeira
vista, com a idéia, por longo tempo dominante, de que além de uma ligeira
vantagem biológica feminina, a sobremortalidade masculina e seu agravamento
espetacular nos países industriais se explicam pela escalada de “doenças de sociedade” tipicamente masculinas. A exposição aos riscos profissionais da atividade industrial, o alcoolismo, o tabagismo e os acidentes de trânsito automotivo eram os principais fatores de risco da sobremortalidade masculina e sua expansão sem precedentes após o começo do século, mal interrompida pela Segunda Guerra Mundial e retomando com mais força ao fim da década de 1940, explicam evidentemente seu agravamento contínuo. Evidentemente? Só até certo ponto. 

(…)

Além das diferenças biológicas entre os sexos, a sobremortalidade masculina se liga a dois tipos diferentes de causas de óbito. Por um lado, um certo número de afecções, que podemos qualificar de doenças de sociedade, esteja ligado a comportamentos individuais prejudiciais à saúde (alcoolismo, câncer do pulmão, acidentes de trânsito, suicídio, etc.) ou aos perigos específicos de certas atividades econômicas (acidentes e doenças profissionais), tocam de maneira fortemente discriminatória certas categorias da população (homens, quando a distinção se faz por sexo; profissionais manuais, quando o interesse é por atividade econômica), e são estas mesmas afecções que compõem, dentro de um mesmo país, o essencial das variações geográficas da mortalidade. Porém, a evolução da mortalidade no tempo se liga muito mais a outras causas: outrora, às doenças infecciosas; doravante, às doenças cardiovasculares e aos cânceres. As doenças infecciosas sendo inicialmente mais desfavoráveis às mulheres, notadamente nas baixas idades e nas idades reprodutivas, seu recuo, após o fim do século XIX, já havia ampliado a diferença de expectativa de vida entre os sexos, mas sobretudo os sucessos obtidos após a década de 1970 na frente das doenças cardiovasculares, e mais recente e modestamente naquela dos cânceres, beneficiaram especialmente as mulheres, elevando a níveis sem precedentes a diferença da expectativa de vida entre os sexos, apesar da homogeneização dos comportamentos e da atenuação das diferenças ligadas às doenças de sociedade. E finalmente, em países como a Rússia, onde as doenças de sociedade afligem mais duramente do que em qualquer outro lugar (notadamente alcoolismo e violência) e onde a passagem à segunda fase da transição sanitária se faz esperar, os dois fenômenos se juntam para penalizar muito mais os homens do que as mulheres, elevar a sobremortalidade masculina a píncaros e reconciliar assim, em negativo, a história e a geografia.

Segue o texto na íntegra: mortalidade, sexo e gênero

O site da ABEP é www.abep.org.br

Boa sorte a todos!