Eleições nos EUA

Olá!

Eleições nos… EUA! Sentindo-se quase “americana”, a grande imprensa de nosso país intensificou a cobertura das primárias apresentando o dia-a-dia dos pré-candidatos.

É claro que se trata da maior economia do mundo, país mais importante do sistema internacional. Portanto, é necessário o entendimento do processo. Quero, entretanto, contribuir para o entendimento de uma perspectiva crítica.

Primeiro, o processo eleitoral para presidência dos EUA exagera no formato federativo. Na prática, isso resulta em uma eleição indireta para presidente pois cada estado tem seu próprio processo eleitoral apresentando para a União apenas o resultado final. Cada estado participa das eleições mediante o número de congressistas (deputados e senadores), isto é, estados com mais congressistas (mais populosos) tem maior peso na eleição presidencial. A Flórida tem 29 delegados, a Califórnia tem 55 e Montana tem apenas 3 delegados.

Para entender, se um candidato obtiver 50% + 1 voto na Fórida, todos dos 29 delegados da Flórida são do partido vencedor.

Isso cria uma potencial irregularidade: um candidato pode ter mais delegados dos estados e menor número de votos dos eleitores. De fato, isso aconteceu, por exemplo, na eleição de Bush contra Gore.

Além deste, há outros problemas. Há vários candidatos à presidência nos EUA. Entretanto, muitos partidos não conseguem representação em todos os estados inviabilizando a eleição dos seus candidatos. Isso ocorre porque cada estado define as formas de aceitação de candidatos à presidência criando graves problemas em termos jurídicos para pequenos partidos se manifestares. De fato apenas dois partidos conseguem representação em todos os estados: o Democrata e o Republicano.

Para finalizar, há diferenças entre os dois maiores partidos americanos, mas, em diferentes perspectivas, muito reduzidas. Os democratas são considerados mais progressistas frente às “minorias”, pelo direitos humanos e ambientalismo. Os republicanos são mais conservadores e ligados ao (neo)liberalismo. Entretanto, a liberalização do sistema financeiro iniciada nos anos 1980 com o republicano Reagan foi intensificada com o democrata Clinton nos anos 1990; a prisão de Guantánamo criada pelo republicano Bush foi mantida pelo democrata Obama. As diferenças, portanto, não são tão evidentes assim.

Para ilustrar e aprofundar essas informações, seguem um vídeo e um artigo da BBC Brasil. O vídeo é um episódio de Os Simpsons que brinca com as semelhanças entre os dois partidos, o conservadorismo e imobilismo do sistema político do país assim como o distanciamento entre a estrutura de poder e as necessidades dos cidadãos. As palavras finais de Homer, “eu votei no Kodos…” demonstram também a falta de reflexividade dos eleitores americanos. Veja o vídeo abaixo:

 

O artigo da BBC Brasil apresenta aspectos importantes de caráter geral nas eleições americanas e faz um levantamento dos principais pré-candidatos atuais.

1. Quem são os principais candidatos

Republicanos

Donald Trump: O megaempresário é hoje o candidato preferido de 41% dos Republicanos, segundo a última pesquisa da CNN. Entre suas principais propostas estão construir um muro na fronteira com o México, barrar temporariamente a entrada de muçulmanos e ampliar as taxas sobre produtos chineses.

Ted Cruz: Filho de um pastor evangélico cubano, o senador pelo Texas conta hoje com 19% das intenções de voto entre os Republicanos. Suas principais bandeiras incluem bombardear as áreas controladas pelo grupo Estado Islâmico, acabar com os subsídios federais a planos de saúde e reduzir o imposto de renda.

Marco Rubio: Filho de cubanos, o senador pela Flórida tem hoje 8% dos votos entre os eleitores do partido. Ele diz que, se eleito, ampliará os gastos com defesa, reduzirá impostos e flexibilizará as leis trabalhistas. Muitos analistas o consideram o candidato Republicano mais competitivo.

Democratas

Hillary Clinton: A ex-secretária de Estado e ex-primeira dama tem hoje 52% das intenções de voto entre os eleitores Democratas. Hillary se apresenta como a sucessora natural de Obama, prometendo aumentar os salários da classe trabalhadora, investir em infraestrutura e combater as mortes por armas de fogo.

Bernie Sanders: O senador por Vermont, que se define como socialista, conta hoje com 38% das preferências dos eleitores do partido. Sanders tem, entre suas principais bandeiras, ampliar o controle sobre os bancos, universalizar o sistema de saúde e reduzir a influência política de lobistas e grandes doadores.

2. Primárias X ‘caucuses’

Estados adotam dois sistemas distintos para escolher seus candidatos nas prévias: as primárias e os “caucuses” (convenções partidárias).

Nas primárias, adotadas por 40 dos 50 Estados, os partidos Democrata e Republicano realizam votações secretas para escolher os candidatos.

Em alguns Estados, as primárias de cada partido se restringem a eleitores cadastrados nessas agremiações; em outros, são abertas a todos os eleitores.

No “caucus”, eleitores se manifestam publicamente sobre suas preferências, levantando as mãos ou se dividindo em grupos. Em geral, só eleitores cadastrados nos partidos podem participar da escolha.

3. Alguns Estados recebem atenção desproporcional

Primeiros Estados a realizar prévias, Iowa e New Hampshire somam apenas 1,6% da população americana, mas é lá que os pré-candidatos passam grande parte do início da corrida eleitoral.

Os resultados nos dois Estados têm muito impacto no resto da campanha, já que podem enterrar candidaturas e dar grande impulso aos vencedores.

Encerrada a fase das primárias, os candidatos vitoriosos passam a enfocar os chamados “Estados-pêndulos”, onde a disputa entre Republicanos e Democratas costuma ser mais equilibrada.

Ao priorizar esses locais, eles tendem a deixar de lado Estados muito identificados com um dos dois partidos. Para um candidato Democrata, por exemplo, fazer campanha em Oklahoma pode não ser tão vantajoso, já que o Estado costuma dar largas vitórias ao partido rival. Alguns dos principais Estados-pêndulo são Flórida, Virgínia, Colorado e Pensilvânia.

4. A importância da ‘Superterça’

As prévias se encerram em junho, mas geralmente o momento mais importante do processo ocorre em fevereiro ou março, quando praticamente metade dos Estados realiza suas consultas num único dia, uma terça-feira.

Neste ano, a “Superterça” ocorrerá em 1º de março. Além de ter grande impacto no resultado final das primárias, a maratona de votações é considerada o primeiro grande teste nacional enfrentado pelos pré-candidatos.

5. A eleição é indireta

A eleição presidencial nos EUA é indireta, realizada por 538 delegados eleitorais, distribuídos pelos Estados conforme sua população.

Em 48 dos 50 Estados americanos (as exceções são Maine e Nebraska), o candidato vitorioso recebe todos os votos dos delegados desses Estados. Ganha a votação o candidato que somar ao menos 270 delegados.

6. Nem sempre o vitorioso é o mais votado

Segundo o site FactCheck.org, ao menos quatro vezes os EUA elegeram presidentes que não tiveram a maioria dos votos.

Isso ocorre porque, mesmo ao derrotar o rival por uma margem mínima de votos num Estado, o candidato vitorioso fica com todos os seus delegados eleitorais.

O último caso ocorreu em 2000, na releeição de George W. Bush, que assumiu o posto mesmo tendo recebido 540 mil votos a menos na contagem geral que seu concorrente Democrata, Al Gore.

7. Votar pode ser complexo

O voto é facultativo nos EUA, e eleitores que queiram participar do pleito precisam se registrar (exceto na Dakota do Norte).

Certos Estados permitem que o registro ocorra no dia da eleição, mas outros adotam regras que, segundo analistas, desencorajam a votação e discriminam minorias. Alguns Estados proíbem, por exemplo, que grupos (partidários ou não) promovam campanhas para registrar eleitores, prática especialmente comum em comunidades pobres.

Nos últimos anos, alguns Estados postergaram o início do horário da votação. Segundo ativistas, a decisão cria dificuldades para igrejas frequentadas por negros, que costumam organizar excursões para levar seus fiéis às urnas após o culto matinal.

8. Nem todos os americanos podem votar

Embora sejam cidadãos americanos, os cerca de 4 milhões de habitantes dos territórios de Porto Rico, Guam, Ilhas Virgens Americanas, Ilhas Mariana e Samoa Americana não têm o direito de votar para presidente, já que esses territórios não têm delegados no Colégio Eleitoral.

Mas os territórios participam das primárias e ajudam a definir os candidatos que concorrem à Presidência.

9. Há vários candidatos desconhecidos

Os candidatos Democrata e Republicano concentram as atenções na eleição, mas não são os únicos concorrentes. Vários candidatos costumam se lançar por outros partidos ou como candidatos independentes. Às vezes, eles influenciam no resultado final.

Na eleição de 2000, o candidato do Partido Verde, Ralph Nader, recebeu 97 mil votos na Flórida. Como Bush venceu Al Gore naquele Estado por apenas 537 votos de diferença, alguns atribuíram sua vitória à participação de Nader, que teria “roubado” votos do Democrata. Se Bush não tivesse vencido na Flórida, Gore teria conquistado a Presidência.

10. As campanhas são bilionárias

Na eleição de 2012, os chamados “Super PACs” arrecadaram US$ 828 milhões (R$ 3,3 bilhões) para atividades de campanha.

Em tese, PACs (comitês de ação política) são comitês independentes articulados para promover causas, candidatos ou projetos legislativos. Na prática, têm sido usados pelos candidatos para arrecadar quantias ilimitadas de dinheiro, driblando as normas que limitam a US$ 2.700 (R$ 10,7 mil) as doações individuais feitas diretamente às campanhas.

Entre os principais competidores deste ano, apenas o democrata Bernie Sanders e o republicano Donald Trump dizem competir sem o apoio de Super PACs. Enquanto Sanders tem contato com pequenas doações de eleitores, Trump tem recorrido à própria fortuna para financiar suas atividades. (Fonte: BBC Brasil)

Abraços a todos e boa sorte!

Ainda sobre petróleo pré-sal e PLS131

Olá!

Uma entrevista interessante de um ex-diretor da Petrobrás sobre as alterações no Marco Regulatório do petróleo no Brasil.

Guilherme Estrella: (…) Foi a Petrobrás que investiu. Vai no Alto Amazonas. Não tem a Shell lá, tem a BR. Essas empresas só vêm para o filé mignon.

Estadão: A Petrobrás correu risco investindo no pré-sal?

Guilherme Estrella: Uma empresa privada não faria o que a Petrobrás fez. (…)”

Para ler a entrevista completa, clique no link abaixo:

Entrevista. Guilherme Estrella, ex-diretor de Exploração da Petrobrás

Abraços a todos e boa sorte!

Gentrificação

Olá!

gentrificação

O processo de gentrificação pode ser caracterizado como uma forma de intervenção do poder público em áreas urbanas decadentes (frequentemente, áreas centrais) com vista ao aparelhamento da região com recursos diversos: infraestrutura viária, embelezamento paisagístico, segurança. Esse processo permite que o capital privado viabilize investimentos nessas velhas áreas degradadas: centros comerciais, condomínios residenciais, empresas prestadoras de servições, valorização do solo urbano.

Claro que esse processo não se desenrola sem custos sociais. Há uma alteração no padrão de renda dos moradores da região evidenciando uma expulsão implícita mas eficiente das populações de baixa renda das áreas em processo de gentrificação. Há entretanto, populações que são expulsas “fisicamente” pela ação policial. São os moradores de rua, prostitutas, prédios sob ocupação social.

Trata-se, portanto, de um processo que atende necessidades do capital acentuando as contradições sociais. Trata-se de um processo recorrente em grandes cidades em escala mundial desde os anos 1970-80 que é mantido até hoje.

Para aprofundar sobre o processo de gentrificação, seguem alguns textos:

TEXTO 1: Uma apresentação do processo de gentrificação em um recorte de artigo produzido pelo professor-doutor Eduardo A. C. Nobre sob o título “Intervenções urbanas em Salvador: turismo e “gentrificação” no processo de renovação urbana do Pelourinho“. Intervenções urbanas

TEXTO 2: Com objetivo de manutenção da honestidade intelectual, segue o artigo do professor-doutor Eduardo A. C. Nobre, porém, na íntegra. Intervenções urbanas em Salvador

TEXTO 3: O artigo “Intervenção do Estado e (re)estruturação urbana. Um estudo sobre gentrificação“, do professor doutor Carlos Ribeiro Furtado é bastante explicativo do processo de gentrificação em uma perspectiva genealógica (“histórica”) evidenciando suas raízes e seus desdobramentos em escala mundial e no território nacional (caso “Dona Teodora” em Porto Alegre). Intervenção do Estado e reestruturação urbana

 

Como um aspecto fundamental para os vestibulandos é o tratamento do tema como questão de exames vestibulares, segue uma lista de questões sobre o tema: QUESTÕES SOBRE GENTRIFICAÇÃO

Abraços a todos e boa sorte!

Movimentos do Sol e Esfera Celeste

Olá!

esfera celeste

 

Entender a posição do Sol na Esfera Celeste (no “céu”) exige um esforço de geometria espacial. Ao menos para mim, não é nada fácil! Assim, para tentar ajudar no entendimento do problema, segue um arquivo com alguns esquemas didáticos para explicação de alguns destes fenômenos.

Clique no arquivo ao lado: POSIÇÃO SOL

Abraços a todos e boa sorte!

PETROBRÁS, pré-sal e PLS 131

Olá!

Recentemente, no final do mês de fevereiro, o Senado aprovou, em Regime de Urgência, o PLS (Projeto de Lei do Senado) 131, de autoria de José Serra.

O PLS 131 é bastante polêmico e, em meu entendimento, problemático porque não atende às demandas nacionais de exploração do petróleo entregando a exploração para empresas estrangeiras.

Para que possamos entender as questões ligadas ao petróleo pré-sal, seguem alguns vídeos que jogam um pouco de luz sobre o tema. Notem que os vídeos apresentam argumentos de fundo econômico, geopolítico, social. Não há ufanismo ou “estado-fobia” entre as razões para criticar o PLS 131.

Seguem os vídeos abaixo:

(Se algum vídeo não abrir, tente desabilitar a resolução HD)

 

 

Abraços a todos e boa sorte!