Sociedade sem Estado: sonho ou pesadelo

Olá!

bitcoin

O Socialismo Científico e o Anarquismo do século XIX pregavam, de formas distintas e como teorias revolucionárias, a abolição do Estado, isto é, das formas de exercício ilegítimo de controle do homem sobre o homem na sociedade. Em contrapartida, forças conservadoras, ligadas ao capitalismo em constante transformação, contribuíram para o sonho de sociedade sem Estado nunca se efetivar.

Entretanto, na alvorada do século XXI, lá estão novamente os arautos da sociedade sem Estado, pregadores das mazelas que esse leviatã causa necessariamente aos homens e que anunciam a guerra dos libertários até a morte do monstro político. O problema é que uma boa parte desses “arautos da liberdade” estão ligados às ideologias mais conservadoras da sociedade.

Nas marchas de 2013 no Brasil, iniciadas com o MPL (Movimento Passe Livre) com um claro viés contestador, houve crescente inserção de grupos pautados por um entendimento individualista, subjetivista e moralista da sociedade, além dos chamados “descamisados”, manifestantes que se diziam “sem partido” além do “partido do Brasil”, do “partido do nacionalismo”. Depois de dois ou três anos assistimos o resultado parcial desses protestos: poucos (nenhum?) avanço político-social e um mar de conservacionismo raso e irrefletido na sociedade. Se fosse um caso isolado no Brasil…

No Egito a Primavera Árabe de pessoas que “sem partido” derrubaram a ditadura dos militares que governava o país desde os anos 1950 levaram ao poder a Irmandade Muçulmana que intencionava instaurar um Estado Confessional! Claro, a suposta ditadura de islamofilia do persidente Mursi não durou muito. Foi derrubado por novo clamor das ruas que possibilitou a chegada ao poder do general Sisi. Depois de tudo, os militares foram levados de volta ao poder…

Os exemplo acima não negam a validade do Estado e da política, ao contrário: evidenciam que apenas uma sociedade que reflete profundamente sobre si e se estrutura politicamente de forma democrática é que pode representar efetivamente seus diferentes setores.

Nos últimos anos a febre anti-Estatal também atingiu a economia. No Brasil de tempos em tempos, aparece alguém falando de independência do Banco Central, da necessidade de uma economia livre do Estado através de privatizações do resto do aparato público-estatal. Claro que, assim como no movimento político de 2013, os setores que mais pregam o fim do Estado intervencionista são os mais conservadores, de menor sensibilidade social e mais afeito a um entreguismo estrangeirista. Nesse contexto e com apelo internacional, vem a difusão da ideia de moeda virtual sem controle estatal, como o Bitcoin.

Criado no final dos anos 2000, após certa resistência institucional política, acabou vergando os velhos controles estatais que, supostamente, não tiveram como se opor ao “brilhantismo” e “justiça” da nova moeda. A história desta e de outras moedas tem sido marcada pela ação predatória de grandes instituições financeiras com vista à inserção e controle de dispositivos financeiros que, além da economia de custos de transações, possibilitam maior isenção de padrões regulatórios inerentes ás demais moedas que, virtuais ou físicas, são controladas por um Banco Central. (para saber mais clique em Rival do Bitcoin ganha a atenção da Microsoft e da IBM e em Banco Goldman Sachs quer criar moeda virtual).

Os problemas da nova moeda sem pátria vão além das iniciativas de desregulamentação das instituições financeiras de grande porte. A ausência de regulamentação pavimentaria o caminho para problemas como a deflação de preços (a moeda seria criada em uma quantidade fixa para as próximas décadas), para a especulação sobre a moeda virtual e para a concentração dos recursos financeiros. (para aprofundar leia Varoufakis explica — e desmistifica — o Bitcoin).

Pode (e eu espero que haja) solução social sem Estado. Mas isso só vai acontecer “um dia…”. Entretanto, eu não consigo ver solução social sem a política, mesmo que um dia não haja mais Estado. Mas eu não consigo ver, em hipótese alguma, solução mágica para os problemas sociais. Todas as soluções mágicas são reduzidas a farsas.

Abraços e boa sorte a todos!

Paris e Bruxelas: outro entendimento.

Olá!

EI EUA

É cansativa a cobertura dos eventos lamentáveis ocorridos em Paris em 2015 e, mais recentemente, em Bruxelas. A imprensa, salvo raras exceções, trabalha com uma lógica maniqueísta que não consegue aprofundar as causas do fenômeno e, portanto, não abre espaço para potenciais soluções. Afinal, seria pela simplista explicação da maldade humana que os atentados ocorreram?

Outras explicações, estruturais e profundas, são necessárias. Como já disse Ianni, a Queda da Bastilha não é um problema de engenharia! Há que se buscar as causas históricas, políticas, sociológicas, antropológicas, geopolíticas, econômicas e outras.

Como uma sugestão de aspectos a serem trabalhados no caso do terrorismo na Europa, seguem alguns aspectos que merecem reflexão:

Primeiro, a retórica dos líderes europeus após os atentados alimenta o próprio terrorismo. O discursos estrito belicista permite que extremistas como os do Estado Islâmico tenham mais argumentos de recrutamento contra os cruzados europeus. Mas esse discurso não vem de graça.

Quanto maior a belicosidade entre as partes, quanto melhor para os abutres das indústrias de armas que podem comercializar suas aeronaves e mísseis com os europeus e suas armas leves com o Estado Islâmico. Vale lembrar que a produção de armas está concentrada nos EUA, países europeus, Rússia e Israel.

O discurso belicista é bem-vindo junto às lideranças ocidentalófilas do Oriente Médio. Em uma região com pouca tradição democrática a forma usual de lidar com as oposições é na base da bala. Presidentes e xeques da região aplaudem a ferocidade dos europeus após cada atentado. Esse processo cria uma relação umbilical entre os conservadores europeus e os ditadores regionais muçulmanos no qual um é refém do outro em uma empreitada assassina.

Finalmente é preciso lembrar que o Oriente Médio ainda é a principal área produtora de petróleo do mundo. Apesar de incautos sugerirem que a Era do Petróleo acabou, as guerras pelo combustíveis teimam em provar o contrário.

É claro que não há necessidade de uma visão diplomática westfaliana, militar-dominadora, para obter esses recursos. O problema é que os europeus tem dificuldade de ver o mundo de outra maneira. A herança do Colonialismo, Neocolonialismo e Imperialismo deixaram profundas marcas na forma de fazer política externa em países como França e Reino Unido. É esperar demais desses países formas de política externa mais complexas orientadas por perspectivas associativas.

E assim segue nosso cotidiano: de atentado ao lamento, á reação policialesca, à vingança militar. Até o novo atentado…

Para reforçar essas ideias, segue um excelente artigo do site “outraspalavras.net”. Clique no link abaixo:

“Combate ao Terror”, fracasso anunciado

Abraços e boa sorte a todos!

Extremistas, por todos os lados…

Olá!

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O extremismo, em suas diferentes vertentes, com suas diferentes máscaras, tornou-se lugar-comum em diferentes partes do mundo. Não só os sempre alcunhados de “radicais” muçulmanos e populações da África Subsaariana. Os extremistas povoam hoje as ruas dos países ocidentais e ocupam o imaginário de suas populações. Esse mesmo Mundo Ocidental que se arroga Moderno nos últimos séculos, guardião de uma Razão quase perdida desde os sábios gregos. É nessa Modernidade Tardia que surgem todos os “Trumps” e “Le Pens” além de suas versões mais recentes ao sul do equador. Qual a razão desse fenômeno?

Azenha produziu um texto, um relato pessoal de experiências vividas em dierentes partes do mundo nesse jovem e já tão carcomido século XXI. Se o texto não dá (óbvio!) resposta para a pergunta acima, ao menos inspira… Clique no link abaixo:

TEXTO

Abraços e boa sorte a todos!

 

Nem sempre é o que parece

Olá!

Dali

Do sítio viomundo.com.br saiu esse delicioso texto de Luiz Carlos Azenha. Vale como uma leitura agradável, como é típico de textos de bons jornalistas. Mas vale muito mais: uma reflexão sobre o ser e a aparência; reflexão sobre a forma pasteurizada como muitos meios de imprensa apresentam o mundo aos seus leitores; reflexão sobre o momento atual de nossa vida política, sem escrever nem mesmo uma vez PT ou PSDB.

O jornalista que sai da redação e da tutela do chefe pode encontrar o mundo e entendê-lo por si.

No final, uma solução para o origem do comunismo no Vietnã. A inteligência pode se aliar ao bom humor através da ética. Segue o texto no link abaixo:

Nem sempre é o que parece

Abraços e boa sorte a todos!