Paris e Bruxelas: outro entendimento.

Olá!

EI EUA

É cansativa a cobertura dos eventos lamentáveis ocorridos em Paris em 2015 e, mais recentemente, em Bruxelas. A imprensa, salvo raras exceções, trabalha com uma lógica maniqueísta que não consegue aprofundar as causas do fenômeno e, portanto, não abre espaço para potenciais soluções. Afinal, seria pela simplista explicação da maldade humana que os atentados ocorreram?

Outras explicações, estruturais e profundas, são necessárias. Como já disse Ianni, a Queda da Bastilha não é um problema de engenharia! Há que se buscar as causas históricas, políticas, sociológicas, antropológicas, geopolíticas, econômicas e outras.

Como uma sugestão de aspectos a serem trabalhados no caso do terrorismo na Europa, seguem alguns aspectos que merecem reflexão:

Primeiro, a retórica dos líderes europeus após os atentados alimenta o próprio terrorismo. O discursos estrito belicista permite que extremistas como os do Estado Islâmico tenham mais argumentos de recrutamento contra os cruzados europeus. Mas esse discurso não vem de graça.

Quanto maior a belicosidade entre as partes, quanto melhor para os abutres das indústrias de armas que podem comercializar suas aeronaves e mísseis com os europeus e suas armas leves com o Estado Islâmico. Vale lembrar que a produção de armas está concentrada nos EUA, países europeus, Rússia e Israel.

O discurso belicista é bem-vindo junto às lideranças ocidentalófilas do Oriente Médio. Em uma região com pouca tradição democrática a forma usual de lidar com as oposições é na base da bala. Presidentes e xeques da região aplaudem a ferocidade dos europeus após cada atentado. Esse processo cria uma relação umbilical entre os conservadores europeus e os ditadores regionais muçulmanos no qual um é refém do outro em uma empreitada assassina.

Finalmente é preciso lembrar que o Oriente Médio ainda é a principal área produtora de petróleo do mundo. Apesar de incautos sugerirem que a Era do Petróleo acabou, as guerras pelo combustíveis teimam em provar o contrário.

É claro que não há necessidade de uma visão diplomática westfaliana, militar-dominadora, para obter esses recursos. O problema é que os europeus tem dificuldade de ver o mundo de outra maneira. A herança do Colonialismo, Neocolonialismo e Imperialismo deixaram profundas marcas na forma de fazer política externa em países como França e Reino Unido. É esperar demais desses países formas de política externa mais complexas orientadas por perspectivas associativas.

E assim segue nosso cotidiano: de atentado ao lamento, á reação policialesca, à vingança militar. Até o novo atentado…

Para reforçar essas ideias, segue um excelente artigo do site “outraspalavras.net”. Clique no link abaixo:

“Combate ao Terror”, fracasso anunciado

Abraços e boa sorte a todos!