Trump

Olá!

Relações assimétricas entre os países sempre existiram e nunca foram bem-vindas no lado pobre do globo. Essas relações assimétricas produziram normas que funcionavam melhor para os ricos. Ao Sul, essas normas sempre viabilizavam a exploração através de elites regionais corruptas e entreguistas, exógenas no seu poder e interesses. Como isso poderia ficar pior para as pessoas mais pobres dos países mais pobres do globo?

O fundo do poço sempre pode ser mais baixo. Bush filho começou a romper e a piorar o quadro no início do século XXI com a famigerada doutrina geopolítica que leva seu nome. Não haveria mais “norma” ou “lei”. Haveria apenas o mando dos EUA, dos seus interesses políticos e econômicos, por todos os meios, inclusive pela força em brutais intervenções militares definidas a revelia das principais instituições mediadoras mundiais ou de outras potências, até então parceiras.

A empreitada de Bush fracassou. A rebeldia do Irã e da Coreia do Norte simbolizaram o velório de um intento maquiavélico mal feito. A Crise Americana foi o enterro desta loucura. Será?

Ao longo da administração Obama os EUA ensaiaram um realinhamento com os tradicionais aliados (França e Alemanha). Mas, na prática, nada havia mudado frente ao cenário anterior. A intervenção na Líbia ilustra isso de moda didático. Foi aprovada uma resolução torpe no Conselho de Segurança da ONU que permitia o exercício de força dos EUA contra o governo de Trípoli. Mas, além da chancela do CS da ONU, o presidente Obama fez questão que o comando das operações marítimas e aéreas ficasse a cargo da OTAN e não dos EUA. “Grande” mostra de multilateralismo e cumprimento de normas internacionais. Não fosse a imprensa divulgar o apoio do Pentágono e de governos europeus aos rebeldes em desacordo da a patética resolução da ONU. Na verdade, nada tinha mudado.

Finalmente, chegamos a Trump. O que munda? Nada muda; tudo munda.

O que se anuncia neste início de governo não pode ser visto como “novidade”. Xenofobia, benefícios econômicos a poucos, prejuízos eventuais aos mais fracos nos EUA, fora dele, na relação entre países. Mais do mesmo… Mas desta vez há dois componentes que não estavam dados nem em administração Bush.

Primeiro, a incerteza frente a quem veio de fora da política. O presidente atual não exerceu qualquer cargo executivo de destaque (na verdade, qualquer cargo eleito). Para os supersticiosos vai uma dica: Hoover, que antecedeu a Grande Depressão, é o único que esteve em situação semelhante.

Em segundo lugar, mas muito importante, a forma, o discurso, a postura do atual chefe da Casa Branca. Misoginia, racismo, xenofobia. A lista seria grande. Esses “predicados” não se restringem a um suposto âmbito pessoal (o que seria preocupante). Discursos como o do Muro do México, as afrontas às demandas de potências como a China, a geração de prejuízos aos pobres no comércio mundial, entre outras, são mostras que não há apenas mudanças quantitativas. Há uma nova forma de política – racista, machista, excludente – em implantação. O BREXIT e o plebiscito na Colômbia já anunciavam. Trump efetivou. Mais vem por aí.

Para aprofundar esse assunto, um artigo da Le Monde Diplomatique Brasil no qual Celso Amorim comenta o que ele chamou de Trumpsmo. Vale um boa leitura.

“O que eu temo muito é que há implícito no discurso do Trump o elogio ao egoísmo, um egoísmo quase levado à loucura. ‘America first’, minha classe social primeiro, minha família primeiro, meu sexo primeiro, vai tudo aí. Eu primeiro. É uma visão anti-humanista, consagrada nessa frase simples”, afirma. “Claro que nós queremos o Brasil em primeiro lugar, mas depende de como você diz isso, como age. Tem que conciliar com interesse de outros”.

Para o artigo, clique lo link ao lado: CELSO AMORIM RELACIONA TRUMPISMO À ASCENSÃO DO RACISMO

Finalmente, para relaxar, uma outra forma de explicação de tudo isso…

Boa sorte a todos!