Alguém sabe falar russo? A impressa erra, é mal intencionada ou um pouco de cada?

Olá!

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Ontem, dia 11 de abril, o presidente Putin participou de uma coletiva de imprensa ao lado do colega italiano. Claro que não podiam faltar perguntas sobre o assunto do momento – a Síria. Mas o que disse Putin?

Primeiro, uma consideração. Em minhas poucas apreciações baseadas na imprensa acerca da diplomacia dos dois países, pude perceber um discurso tipo cowboy entre os diplomatas dos EUA, enquanto seus colegas russos se atinham a fatos históricos, aspectos do direito internacional, objetivação de interesses nacionais, isto é, eram mais profissionais frente aos midiáticos americanos, eram mais objetivos frente aos rompantes imaturos americanos.

A imaturidade discursiva, entretanto, não se manifesta apenas nos diplomatas dos EUA. Afinal, alguém que é indicado no Brasil para o cargo de Ministro das Relações Exteriores não pode, ao longo da campanha eleitoral nos Estados Unidos, chamar um candidato de “pesadelo” pois, afinal, o candidato pode se tornar presidente do país. Mas, deixando de lado o (atual) pobre Itamaraty e voltando aos EUA, a imprensa americana também cumpre papel semelhante ao dos diplomatas com discursos que beiram o ódio frente aos adversários externos, inclusive russos.

Talvez tudo tenha sido inaugurado com a política externa hollywoodiana de Ronald Reagan nos anos 1980, talvez seja mais uma manifestação do que alguns chamam de pós-modernidade. De qualquer forma, mais um momento lamentável em cobertura de política externa.

Na dita coletiva de imprensa do dia 11 de abril, Putin fez menção a possibilidade de novos ataques com armas químicas, encenados para aumentar a pressão externa sobre Assad. Sobre isso, veja a manchete que saiu no UOL (o Grupo Folha fez, é claro, “ctrlc-ctrlv” desde a Agência AP):

Putin acusa Trump de planejar ataque a Damasco para culpar Assad

Na Band News essa manchete foi acrescida de “sem apresentar provas” por parte de Putin.

Pensei que a diplomacia russa estava se rendendo ao estilo cowboy ocidental. Afinal, acusar Trump diretamente deste jeito? Apesar de plausível, seria uma fala excessiva desde um chefe de Estado. Quanto as provas, seria difícil apresentá-las sendo que os fatos ainda estariam por acontecer, mas…

Minha surpresa ao encontrar a mesma coletiva de imprensa na cobertura do Opera Mundi. Segue a manchete abaixo:

Terroristas planejam usar armas químicas na Síria para poder culpar Assad de novo, diz Putin

Agora, e fazendo todo sentido, “terroristas” (não o presidente Trump) estariam planejando o uso de armas químicas para aumentar a pressão americana contra Assad. Quanto às provas, seriam o resultado do trabalho dos serviços de inteligência da Rússia que teriam interceptado substâncias tóxicas em poder de grupos rebeldes na Síria, entre outras informações.

Assim, a coletiva de imprensa do dia 11 não trouxe nada de novo:

A política externa russa continua sendo desenrolada com bases técnicas e com habilidade política. E a imprensa, ou melhor, a imprensa americanófila e seu arremedo brasileiro, continua em seus esforços de desinformação.

É tempo de se pensar sobre a pergunta retórica de Karl Krause:

Como o mundo é governado e como começam as guerras?

Os diplomatas contam mentiras aos jornalistas e eles acreditam no que lêem.

Abraços e boa sorte a todos!