Mais uma vítima da miopia atual: pensamento crítico ambientalista

Olá!

Já encontramos várias vítimas de um tempo cego. Já sofreram ataques “A Origem das Espécies”, “O Capital”, “A Teoria Geral”, entre outros que foram objeto de linchamento pela turba neoconservadora. Alguns morreram, outros estão convalescentes e alguns ainda estão naquilo que nunca deveria ter sido uma luta.

Afinal, vive-se um tempo no qual pensar por si vem acompanhado por um xingamento: COMUNISTA! Assim, pensar cientificamente a diversidade e evolução das espécies é ser comunista; pensar a organização sociedade-Estado com vistas ao Bem-Estar Social é ser comunista; e, é claro, ser comunista é ser… comunista!

Infelizmente o pensamento neoconservador brasileiro tem se apropriado do ambientalismo, especialmente a polêmica criada (falseadora) entre “aquecimentistas” e “céticos”. Pensar o processo de interferência da sociedade sobre o clima está se tornando coisa de comunista.

Não penso “ciência” de modo purista ou como algo que produz verdades imunes às polêmicas. Isso é inerente ao dogma, não à ciência. Além disso, “ciência” é feita por homens em sociedade e todas as características e contradições sociais acabam embutidas na produção científica: financiamento por institutos de pesquisa, interesses de corporações, tendência pessoais (políticas, ideológicas, religiosas) do pesquisador. Há, entretanto, alguns limites a partir dos quais se evidencia instrumentalização da suposta produção de ciência que, na verdade, está mais para promoção pessoal ou de necessidades políticas. É o que vem acontecendo com a ideia de “aquecimento global antropogênico”.

Há, é claro, muito exagero acerca do tema: desde o hollywoodiano “o dia depois de amanhã” até artigos (jornalísticos, de divulgação científica ou especializados) que inflacionam o tema. Há exageros e pirotecnia em conferências entre países (que se mostram muito aquém das necessidades). Mas quando os ditos “céticos” acerca do aquecimento global antropogênico no Brasil são convidados a discursar em meios de imprensa ligados ao agronegócio ou em blogs de notícias de caráter neoconservador, daí temos um problema.

Nesse contexto (e para aprofundar o tema) segue um artigo do site Direto da Ciência sobre a polêmica entre o divulgador de ciência Pirula e o intitulado “cético” Ricardo Augusto Felício. Não subo mais vídeos ou artigos pois o artigo do site Direto da Ciência é farto nestas citações.

Para o artigo, clique no link ao lado: Negacionismo do clima e também do desenvolvimento sustentável

Ao final do post, não resisto à já clássica entrevista de Felício no velho Programa do Jô. Diz o professor “cético” da USP que a “chuva é que causa a floresta e não a floresta que causa a chuva”. Está “correto”, mas é um pensamento simplista que desconsidera uma infinidade de variáveis que interagem na produção do clima e do ecossistema A cereja o bolo, entretanto, está no final. Diz o professor “cético” que “se você cortar toda a floresta amazônica, 20 anos depois está tudo lá de volta porque continua chovendo”. É de uma irresponsabilidade sem tamanho afirmar isso e não pensar na eliminação dos espécimes, da possibilidade (efetividade) de eliminação de espécies, na afronta ao modo de vida das populações indígenas e de outros Povos da Floresta. Segue a entrevista abaixo com a passagem acima por volta dos 18 minutos de entrevista.

Abraços a todos e boa sorte!