sobre gênero

Olá!

“Não me interessa escapar da minha miséria sexual pondo a mão na bunda de uma mulher no transporte público. Não sinto qualquer tipo de desejo pelo kitch erótico-sexual que vocês propõem: caras que se aproveitam da sua posição de poder para dar uma rapidinha e passar a mão em bundas. A estética grotesca e assassina da heterossexualidade necropolítica me enoja. Uma estética que renaturaliza diferenças sexuais e coloca homens na posição de agressores e mulheres na de vítimas (dolorosamente agradecidas ou felizmente incomodadas).”

Trata-se de um trecho da carta do filósofo Paul B. Preciado traduzida por Laura Erber na sua página do facebook.

Pela primeira vez tive acesso a uma forma de entendimento do problema das denúncias sexuais hollywoodianas que transcendeu a falsa polêmica “metoo” contra os artistas e intelectuais franceses. Em uma simples carta há maior embasamento conceitual, maior profundidade e amplitude no esforço de entendimento do fenômeno.
Ignorante que sou no tema, destacou-se um fato raro nas posturas do filósofo: as relações com a filosofia, política e economia. Usual nas discussões de gênero é haver negligência acerca de outras formas de dominação ilegítima que foram relegadas ao passado apenas por terem saído de moda e não por terem sido efetivamente superadas: classe, renda, entre outras. Lamentável quem reforça esse modismo, mas que, acredito, não está presente nessa “carta”.
Em meio às falsas polêmicas, resta aprofundar no pensamento deste filósofo na expectativa de aclaramento deste problema.

Para quem se interessar, segue a página com a tradução da “carta”.
carta de Paul Preciado

Em tempo, antes que eu seja acusado de colocar um post sobre um filósofo falocêntrico, Paul nasceu na Espanha há 41 anos sob o nome de Beatriz.

Abraços a todos e boa sorte!