Informação, ignorância e violência

Olá!

El País publicou uma entrevista com Wagner Schwartz , o artista da performance no MAM notabilizada (infelizmente) pela viralização da cena da criança tocando o corpo nu de Schwartz .

O episódio foi denominado por alguns de “pedofilia”. Assim, o primeiro passo é entender o que é pedofilia em uma perspectiva legal. Diz o Estatuto da Criança e do Adolescente:

Art. 240. Produzir, reproduzir, dirigir, fotografar, filmar ou registrar, por qualquer meio, cena de sexo explícito ou pornográfica, envolvendo criança ou adolescente: )
Pena – reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa.
§ 1o Incorre nas mesmas penas quem agencia, facilita, recruta, coage, ou de qualquer modo intermedeia a participação de criança ou adolescente nas cenas referidas no caput deste artigo, ou ainda quem com esses contracena.
§ 2o Aumenta-se a pena de 1/3 (um terço) se o agente comete o crime:
I – no exercício de cargo ou função pública ou a pretexto de exercê-la;
II – prevalecendo-se de relações domésticas, de coabitação ou de hospitalidade; ou
III – prevalecendo-se de relações de parentesco consangüíneo ou afim até o terceiro grau, ou por adoção, de tutor, curador, preceptor, empregador da vítima ou de quem, a qualquer outro título, tenha autoridade sobre ela, ou com seu consentimento.

Assim, dificilmente é possível inserir o episódio como “pedofilia”. A mãe estava presente, não houve constrangimento à criança, o ambiente era de um conhecido museu de arte, a performance do artista já era conhecida e remetia aos idos de 2005 em referência à produção artística de Lygia Clark nos anos 1960.

Para reforçar a ideia de ausência de teor sexual (lido em uma perspectiva vulgar) segue um vídeo com um recorte da apresentação que pode durar por volta de 1 hora.

Antes de avançar, fique claro que se trata de um vídeo curto. Ele não representa uma fração da totalidade da performance quanto a apresentação em si (descolamento do contexto ao vido do museu, incapacidade de interação com as pessoas, edição) e, menos ainda, da totalidade que envolve toda a ideia desta produção. Mas fica evidente que não há qualquer significação vulgar de sexo.

Mas setores políticos e de imprensa conservadores e manipuladores, aliaram à sua ignorância e maldade à de outras milhares de pessoas nessa selva chamada de Redes Sociais. Resultado: linchamento medieval da apresentação e, quem sabe, da própria ideia de arte.

Segue abaixo os links para a entrevista do artista no El Pais. Entretanto, uma ressalva. Dividi a entrevista em duas partes. Explico mediante uma analogia. O MASP voltou a apresentar suas obras em cavaletes de vidro sem que o visitante veja, a princípio, a referência técnica-histórica do quadro. Assim, o espectador tem uma primeira aproximação livre de dirigismos e, depois, pode ter uma referência objetiva quanto à obra. Da mesma forma no artigo do El País que eu quero apresentar.

A entrevistadora, Eliane Brum, fez uma apresentação excelente da entrevista. Entretanto, a apresentação pode gerar no leitor antipatia, empatia ou se desdobrar em qualquer outra forma de dirigismo. Assim, cortei a matéria em duas partes: a entrevista propriamente dita e a apresentação de Eliane Brum. Seguem abaixo:

Segue a entrevista: ENTREVISTA

Apresentação da jornalista Eliane Brum: Apresentação

Abraços a todos e boa sorte!