Sobre geovest

prof geografia

algo sobre o vestibular… UFPR

Olá!

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Apenas elogios para a prova de Geografia da UFPR. Vestibular com avaliação em duas fases com prova de conhecimentos gerais envolvendo questões de Geografia de múltipla escolha e prova de conhecimentos específicos com questões dissertativas. Segue um relatório das provas deste vestibular:

relatorio UFPR

Para quem se interessar, o edital da vestibular 2018: edital 2018

Para se aclimatar à prova, seguem mais quatro arquivos com as provas de conhecimentos gerais e conhecimentos específicos (geografia) dos dois últimos anos.

CE 07122015

CG 08112015

CE 26112016

CG 23102016

Espero que isso possa ajudar!

Abraços e boa sorte a todos!

Vai levando

Olá!

A Justiça Federal do Distrito Federal decidiu, liminar e parcialmente, a favor de Rozângela Alves Justino (segue a Ata da decisão no pdf abaixo) acerca da prestação de tratamento com apoio psicológico para pessoas que querem abdicar do homoerotismo em favor do heteroerotismo.

A questão tornou-se especialmente polêmica após o Conselho Federal de Psicologia ter baixado resolução (segue a Resolução no pdf abaixo) que veta este procedimento junto aos psicólogos brasileiros, Resolução em alinhamento com a posição da Organização Mundial da Saúde.

A decisão do juiz Waldemar Cláudio de Carvalho diz basear-se na melhor hermenêutica jurídica. Para se formar opinião, vale uma breve leitura acerca de hermenêutica jurídica no texto introdutório de Chiara Michelle Ramos Moura da Silva: Noções Introdutórias de Hermenêutica Jurídica Clássica.

Na sequência, uma apresentação acerca de Rozângela A. Justino, fundamental para se chegar a conclusão da adequação (ou não!) da decisão judicial. Para tanto (e acompanhando um tendência da justiça brasileira de obter informações na imprensa), segue um artigo do jornal Folha de São Paulo com depoimentos de Rozângela A. Justino e de outros psicólogos: Psicóloga que diz “curar” gay vai a julgamento em conselho.

Ainda para formar opinião acerca do parecer no Conselho Federal de Psicologia vetando a chamada vulgarmente “cura gay”, segue um vídeo com depoimento da própria Rozângela A. Justino.

Finalmente, seguem abaixo os arquivos pdf com o parecer do Conselho Federal de Psicologia sobre a dita reorientação sexual e a decisão do Juiz Carvalho:

Resolução CFP 01-1999

Ata de Audiência

Ao final, para relaxar (?!), “Vamos Levando”…

Abraços e boa sorte a todos!

Mais uma vítima da miopia atual: pensamento crítico ambientalista

Olá!

Já encontramos várias vítimas de um tempo cego. Já sofreram ataques “A Origem das Espécies”, “O Capital”, “A Teoria Geral”, entre outros que foram objeto de linchamento pela turba neoconservadora. Alguns morreram, outros estão convalescentes e alguns ainda estão naquilo que nunca deveria ter sido uma luta.

Afinal, vive-se um tempo no qual pensar por si vem acompanhado por um xingamento: COMUNISTA! Assim, pensar cientificamente a diversidade e evolução das espécies é ser comunista; pensar a organização sociedade-Estado com vistas ao Bem-Estar Social é ser comunista; e, é claro, ser comunista é ser… comunista!

Infelizmente o pensamento neoconservador brasileiro tem se apropriado do ambientalismo, especialmente a polêmica criada (falseadora) entre “aquecimentistas” e “céticos”. Pensar o processo de interferência da sociedade sobre o clima está se tornando coisa de comunista.

Não penso “ciência” de modo purista ou como algo que produz verdades imunes às polêmicas. Isso é inerente ao dogma, não à ciência. Além disso, “ciência” é feita por homens em sociedade e todas as características e contradições sociais acabam embutidas na produção científica: financiamento por institutos de pesquisa, interesses de corporações, tendência pessoais (políticas, ideológicas, religiosas) do pesquisador. Há, entretanto, alguns limites a partir dos quais se evidencia instrumentalização da suposta produção de ciência que, na verdade, está mais para promoção pessoal ou de necessidades políticas. É o que vem acontecendo com a ideia de “aquecimento global antropogênico”.

Há, é claro, muito exagero acerca do tema: desde o hollywoodiano “o dia depois de amanhã” até artigos (jornalísticos, de divulgação científica ou especializados) que inflacionam o tema. Há exageros e pirotecnia em conferências entre países (que se mostram muito aquém das necessidades). Mas quando os ditos “céticos” acerca do aquecimento global antropogênico no Brasil são convidados a discursar em meios de imprensa ligados ao agronegócio ou em blogs de notícias de caráter neoconservador, daí temos um problema.

Nesse contexto (e para aprofundar o tema) segue um artigo do site Direto da Ciência sobre a polêmica entre o divulgador de ciência Pirula e o intitulado “cético” Ricardo Augusto Felício. Não subo mais vídeos ou artigos pois o artigo do site Direto da Ciência é farto nestas citações.

Para o artigo, clique no link ao lado: Negacionismo do clima e também do desenvolvimento sustentável

Ao final do post, não resisto à já clássica entrevista de Felício no velho Programa do Jô. Diz o professor “cético” da USP que a “chuva é que causa a floresta e não a floresta que causa a chuva”. Está “correto”, mas é um pensamento simplista que desconsidera uma infinidade de variáveis que interagem na produção do clima e do ecossistema A cereja o bolo, entretanto, está no final. Diz o professor “cético” que “se você cortar toda a floresta amazônica, 20 anos depois está tudo lá de volta porque continua chovendo”. É de uma irresponsabilidade sem tamanho afirmar isso e não pensar na eliminação dos espécimes, da possibilidade (efetividade) de eliminação de espécies, na afronta ao modo de vida das populações indígenas e de outros Povos da Floresta. Segue a entrevista abaixo com a passagem acima por volta dos 18 minutos de entrevista.

Abraços a todos e boa sorte!

OCX: permanência das alternativas para um mundo multipolar.

Olá!

A fluidez do cenário atual ocorre em vários níveis. Aquilo que alguns chamam de pós-modernidade tem na velocidade e na obsolescência duas de suas caraterísticas essenciais. As formas de entendimento da realidade ficam velhas quando foram feitas na semana passada. No entendimento da organização política mundial isso não é diferente.

O mundo viveu mais de quatro décadas da chamada Guerra Fria. Claro que houve peculiaridades ao longo da segunda metade do século XX, evidentes nas diversas formas que os historiadores usam para periodizar esse tempo. Mas houve elementos comuns que dão margem ao óbvio, qual seja, nossa capacidade de denominar esse conjunto de fenômenos como “Guerra Fria”: bipolaridade entre EUA e URSS; dois sistemas econômico-político-ideológicos de organização da sociedade; corrida armamentista; propaganda política. O mundo de hoje, da velocidade dos processos, é difícil de ser denominado para além de “pós-Guerra Fria”.

Os anos 1990, com o fim da URSS, foram marcados por uma espécie de ensaio dos EUA na utilização do seus diferenciais econômico e militar para se colocarem como potência mundial unipolar. A Doutrina Bush de 2001 era a sistematização dessas iniciativas. A Crise Americana, a Crise Europeia, a contestação aos EUA por países como Irã e Coreia do Norte, os fracassos americanos no Iraque e no Afeganistão evidenciaram a incapacidade dos EUA organizarem o mundo como potência única.

No final dos anos 2000 a multipolaridade parecia ser a tendência mais forte. Afinal, o G20 ganhou importância frente ao velho G7 (ou G7+1 na época); o Brasil quitou sua dívida com o FMI que veio pedir mais recursos aos países “emergentes”; MERCOSUL, UNASUL, IBAS, APAS, ASA; e BRICS, com o acréscimo da República da África do Sul, com o Novo Banco de Desenvolvimento, com o Arranjo de Reservas. Mas quando a marca de um tempo é a mudança, nada é certo.

Em meados da década de 2010 houve perceptível redução do crescimento das economias da China e da Índia; a Rússia teve, além de redução do crescimento econômico, problemas internacionais, especialmente na Ucrânia; a Argentina, como boa parte da América Latina teve uma guinada econômica ortodoxa, sujeição ao deus-mercado e capachismo (eterna síndrome de vira-lata) frente aos EUA; o Brasil dispensa comentários.  Assim, vários projetos ou organizações do mundo “pobre” para contestação de uma ordem historicamente injusta começaram a fracassar. Vitória dos países “ricos”, aqueles que sempre ganham. Mas “ainda estão rolando os dados”.

Se alguns países pobres se mostraram mais frágeis no processo de inserção autônoma no cenário mundial (Brasil, Argentina, México, Coreia do Sul), outros buscaram reorganizar suas agendas e prioridades com vistas a permanência de um projeto nacional autônomo. É o caso de Rússia, China, Turquia, Índia.

Uma sigla ilustra essa perspectiva e merece nossa atenção: OCX (Organização para Cooperação de Xangai). Trata-se de um clube de países envolvendo como membros até a atualidade China, Rússia, Índia, Paquistão, Cazaquistão, Quirguistão, Uzbequistão e Tajiquistão. Esses países reúnem um percentual significativo da população e do PIB do planeta, são dotados de recursos naturais essenciais (inclusive reservas de petróleo e gás natural), além de terem algumas das potências nucleares do planeta. A crescente cooperação e o acréscimo de novos países evidencia uma força respeitável para colocação dos seus problemas e demandas na agenda mundial. Finalmente, a forma de negociação externa desse bloco se orienta pelo Ganha-Ganha, diferente das recorrentes formas de imposição via exploração das potências do Norte sobre os países fracos do Sul.

Se BRICS, MERCOSUL e Brasil ficaram pela estrada, essas novas potências (ou nem tão novas para a Rússia) consertaram o carro na viagem, exigência de um tempo, e seguem para uma melhor colocação na política mundial.

Para ilustrar e aprofundar, algumas informações e textos:

Segue abaixo um infográfico antigo, de 2015, anterior ao ingresso pleno de países como a Índia e o Paquistão, mas que dão a dimensão desse clube:

O texto que segue é uma abrangente e didática explicação de Pepe Escobar sobre a OCX: Ocidente não sabe nem do cheiro do que a Eurásia está cozinhando.

Finalmente, esse último texto mostra a força da Organização tendo em vista um membro da OTAN e histórico pleiteante a membro da UE se dizer apto a ingressar como membro pleno da OCX: Se a UE não se decidir, Erdogan ameaça levar a Turquia para a Organização de Xangai.

Abraços a todos e boa sorte!

Chega de chavões

Olá!

O erro dos governos recentes – e por isso se desgastaram rapidamente – foi não ter exercido protagonismo na solução de saídas para o grave impasse que imobiliza e ameaça o país há 3 anos. Precisamos superar essa crise rapidamente em nome da esperança e do futuro. (Renan Calheiros)

Dizer-se de esquerda e começar um texto com uma citação de Renan Calheiros é instigante. Dizer que ele está certo é provocativo. Quase certo…

Os últimos “governos” não mostraram protagonismo para superar a crise. Mas que governos são esses e que crise é essa?

Claro que “governos” são os dois últimos e a “crise” se manifesta na economia, no emprego, na corrupção, no “denúncio-vazamentismo” que se estabeleceu recentemente. Mas não se solucionam essas “crises” sem se pensar em outra muito mais grave: para qual sociedade se está governando e quem está, de fato, no poder?

Dessa forma, últimos “governos” são os que se sucedem desde os anos 1990 sendo governos crescentemente alheios às necessidades populares mais candentes. São governos ligados ao grande capital doméstico e internacional, são governos da elite rentista, são governos que assumiram viés dirigista – donos da verdade que são – frente a uma sociedade vista como ignorante, dotada de quase-cidadãos que se contentam em receber benefícios (urgentes que sejam) ou promessas de futuro.

Em FHC houve o início de um modelo neoliberal que privilegiou rentistas aqui e no exterior, que avançou com uma falácia de privatizações que aumentou o custo para as famílias (principalmente de classe média) na medida em que dilapidava os serviços básicos públicos exigindo aquisição de serviços privatizados ou concedidos: educação, saúde, transporte.

Em Lula e Dilma um grande avanço se estabeleceu. “Pela primeira vez na história deste país” as classes baixas foram incluídas em um mercado consumidor por medidas diversas de distribuição de renda: bolsa-família; minha casa minha vida, aumento real do salário mínimo, aumento da empregabilidade em empregos formais (Lula). Mas, para além da inclusão via renda e consumo (dinheiro, bens e serviços), o que mais se fez? “Bebida é água e comida é pasto”, dinheiro, bens e serviços são todas as coisas que um cidadão, que uma pessoa pode querer?

Faltou mais uma coisa que não se vê há tempos, que não se manifestou no Brasil ao longo da Nova República: pensar a sociedade, o que ela é e como é possível desenrolar um novo modelo político que se adeque de fato aos atuais anseios sociais. Sobrou, entretanto, preguiça mental e covardia na tentativa de reeditar o já carcomido neoliberalismo com uma falsa roupagem social. O problema é que não funcionou. Não funcionou aqui e lá.

Se no Brasil assistimos à sucessão de escândalos e ameaças a estabilidade política, não é diferente na Argentina (Kirchner-Macri), no(s) golpe(s) no Paraguai, na instabilidade na Venezuela, na corrupção endêmica e cumplicidade com o crime organizado no México, na eleição do apresentador de tv xenófobo nos EUA, no plebiscito xenófobo BREXIT no Reino Unido, na quase eleição do partido de extrema-deireita na França, na permanência do governo de traços homofóbicos na Rússia, na queda do governo promíscuo com o capital na Coreia do Sul (substituído por outro do establishment).

Ideologia. A velha palavra que foi tirada de moda é resposta para esses anseios. Por “ideologia”, em um sentido pré-marxiano, entendo uma forma sistemática de compreensão da sociedade, pautada por vieses humanistas de solidariedade e sustentabilidade (ambiental, econômica, social, cultural). A fórmula ainda é desconhecida, mas o caminho já está dado: Direitos Fundamentais (para além dos de Primeira Geração); humanismo marxiano; intervencionismo de Estado na economia e nos serviços sociais; entendimento freireano do “outro”; democracia de fato que traduza (além do mero ato de votar) a participação efetiva da sociedade nas decisões de governo, que traduza o protagonismo da sociedade; o elogio ao coletivo (contra as patéticas afirmações individualistas atuais desde a economia competitiva até o “voto em pessoas e não em partidos”); práticas econômicas solidárias-sinérgicas e não individuais-competitivas.

Já passou do tempo de se pensar uma Nova Política para além de chavões de campanhas eleitorais.

Abraços a todos e boa sorte!

Eleições na França 2

Olá!

Como um homem de 39 anos em partido recém-criado que nunca disputara eleição conquistou a Presidência da França? (Foto: AP Photo/Christophe Ena)

Terminou o segundo turno na França e, como as pesquisas apontavam, Macron sagrou-se vencedor, eleito presidente do país. Restam algumas considerações.

Rodolfo fez importantes colocações acerca do final do processo eleitoral e das dificuldades a serem enfrentadas pelo eleito, Macron.

Acompanhando a colocação do professor Rodolfo, Macron tem alguns problemas pela frente. Em primeiro lugar, validar o nome do Primeiro Ministro junto aos parlamentares. Isso pode ser difícil pois a eleição de Macron pode ser lida, em grande parte, como um voto anti-Le Pen. Os partidos de esquerda que não declararam voto no segundo turno ou que apoiaram Macron (ou se colocaram conta Le Pen) podem não compor com o presidente neste início de mandato.

Além disso – e quase favas contadas – a derrota de Le Pen não significa o fim político do clã ou, o que é mais importante, do seu discurso político. Ao longo dos últimos anos na França (Reino Unido; Europa em geral; EUA; Brasil; América Latina em geral) há uma guinada para a direita pautada por ideais como:

  • nacionalismo xenófobo;
  • valores tradicionais (incluindo religiosos);
  • entendimento do “outro” político como inimigo e não como adversário;
  • discurso político que nega a política;
  • domínio da forma (marketing de campanha, capacidade discursiva) sobre o conteúdo (partido político, coerência ideológica, plataformas políticas diversas como econômica, social, externa).

O fracasso do modelo neoliberal tornou a sociedade pobre no entendimento de si e no apontamento de alterações políticas sustentáveis. Como profetizou o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, os embates políticos estão dados entre a direita e a extrema direita.

Artigo do da DW trabalha esses assuntos da política francesa. Para ler, clique no link abaixo:

Apesar da derrota, Frente Nacional mostra força

Abraço e boa sorte a todos!

Eleições na França

Olá!

Emamanuel Macron e Marine Le Pen (Foto: Reuters)

Terminou o primeiro turno das eleições presidenciais na França. Os candidatos à “esquerda” foram derrotados de formas mais ou menos contundentes: Mélenchon teve 19,61% dos votos enquanto Hamon conseguiu 6,34%. O segundo turno francês tornou o ex-prefeito de São Paulo profético dado o enfrentamento entre a direita liberal (Macron, 23,86% dos votos) e o nacionalismo, aparentemente fascista, de Le Pen (21,45%). Aparentemente a “esquerda” vive um péssimo momento na França, ou, não apenas: Reino Unido do BREXIT; EUA de Trump; Colômbia com as negativas populares ao acordo de paz com as FARC; guinada à “direita” da América Latina. Talvez haja uma mudança de rumos para a direita, mas as análises estão sendo feitas com base nos dados do momento, sem a inserção de conceitos mais apropriados e sem perspectiva histórica.

Primeiro, os dados imediatos da França não dão a “esquerda” como coisa do passado. O atual presidente é do Partido Socialista. O candidato de melhor colocação nas “esquerdas” se posicionou em quarto lugar no primeiro turno a menos de 2% da passagem para o segundo turno das eleições. Assim, não é possível evidenciar pela disputa político-partidária uma tendência causal, unilinear, inexorável da sociedade para a “direita”. Da mesma forma como o atual presidente do Partido Socialista (Hollande) substituiu o conservador Sarkozy, eventualmente os partidos com discursos conservadores podem voltar à presidência na França. São conjunturas.

O que não é conjuntura é a tendência de afastamento das estruturas políticas, partidárias e eleitorais das demandas efetivas de uma sociedade crescentemente descontente. Nos parágrafos anteriores eu utilizei os termos “esquerda” e “direita” entre aspas. Não partilho o ideal de desatualização dessas expressões. Apesar do pântano conceitual no qual elas foram mergulhadas nas últimas décadas, acredito ser possível sua utilização desde que sob conceituação prévia. Entretanto, questiono, qual foi o significado do Governo Hollande (de esquerda, do Partido Socialista) frente ao conservador Sarkozy? Acredito que muitas demandas conservadoras que não foram implementadas em governo Sarkozy, no cenário doméstico e externo, foram postas em prática na administração Hollande. Por quê?

As estruturas políticas-partidárias-eletivas tornaram-se agigantadas em paralelo com o crescimento das necessidades de grandes grupos políticos e econômicos (corporações) dos países de maior volume e complexidade econômica (EUA, França, Brasil, Argentina). Essas corporações tem necessidades específicas, se apóiam mutuamente e, inclusive, junto aos partidos políticos desde sua formação, organização das campanhas eleitorais até o exercício de governo. Vamos a alguns exemplos:

As organizações Globo dependem de contratos publicitários de centenas de milhões de reais para sobreviver. Esses anúncios são pagos por grandes corporações, como as ligadas ao sistema financeiro. Como as organizações Globo vão organizar seu jornalismo, sua produção ficcional (novelas) tendo em vista essas necessidades imediatas? Como a veiculação de notícias (ou informações em geral, visões de mundo) vai se relacionar com as estruturas e funcionamento dos partidos políticos? E como os partidos vão atuar nas Unidades Federadas mais importantes e no âmbito da União? Se as Corporações são contempladas há crescente afastamento do governo das demandas da população. Aproveitando meu próprio exemplo, a Globo, grupo de mídia, faz o papel de um marqueteiro atenuador das contradições. Mas a população, conscientemente ou não, se dá conta dessa dissociação. O problema é que, tendo apenas a percepção do problema e não sua racionalização, as soluções implantadas pelas pessoas podem não ser as mais adequadas.

Ainda no rol dos exemplos, o Primeiro Ministro grego de “esquerda”, Tsípras, saiu da Grécia em 2015 com a força de um plebiscito realizado logo anteriormente no qual a população do país disse “não” a submissão frente ao sistema financeiro. Aquele que saiu da Grécia para negociar com a Troika com a força de um tigre voltou ao seu país com manso como um angorá dizendo ter feito o “possível” nas negociações. Assim, estranhamente, “direita” e “esquerda” tem feito mesmos governos com diferenças pontuais que, em última instância, pouco representam.

Para finalizar, volto ao problema da percepção e não racionalização do problema pela população. Há desconforto das pessoas frente á classe política, mas não há um bom entendimento do funcionamento das estruturas de poder. Como, então, reage a população? Basta olhar o crescimento dos partidos de extrema direita, dos discursos de ódio (racismo, xenofobia), do ideal nacionalista-ufanista e, principalmente, da ascensão dos outsiders da política, daqueles que se dizem “de fora” do jogo político, mas que estranhamente resolveram “entrar”.

Retomando a velha distinção de classe em-si e classe para-si, as formas de ação irrefletidas das pessoas frente ao divorcio percebido com a política só reforça esse distanciamento. O voto nesses novos aventureiros da política não é um voto de descontente que se manifesta como o mais conservador, como o que mais mantém tudo aquilo que diz negar na política. Os brasileiros não precisam de muito apelo conceitual para entender isso. Basta lembrar do caçador de marajás que derrotaria a inflação com um tiro certeiro e ver no que deu: um governo dos mais problemáticos, de curta duração, mantenedor de tudo que era mais tradicional e carcomido na política brasileira. Quanto mais se revolta sem se entender o porque da situação, menores a chances de superação dos problemas.

Para mais sobre o assunto, leiam:

Extrema direita e liberalismo ditam as regras no país da “igualdade” e da “fraternidade”

Macron vence em áreas da esquerda e Le Pen, nos extremos da França

Macron e Le Pen iniciam batalha final pela Presidência da França

Abraços a todos!